Choremos, senhores, choremos. Deixemos cair nossas lágrimas... Nosso esguicho particular e intransferível... Ninguém pode chorar nosso choro, sofrer nossa dor. Talvez seja, em muitos anos, nossa mais sombria segunda-feira... É bem possível que a grande maioria chore de raiva, de ressentimento... Outros, porém, choram realmente de tristeza, ainda agarrados a resquícios de confetes e serpentinas que choveram sobre a Boca este ano, que me parecia seria de festa e não de lamentações. Sejamos realistas, embora o choro seja verdadeiro. O Lobão foi a Santa Maria para uma difícil missão. Evidentemente que em futebol tudo é possível, e ganhar do time da casa embalado, diante do maior público que a Baixada Melancólica teve em anos, não seria tarefa impossível, não. O time local, porém, não foi surpreendido. Deu à lógica – lógica, aliás, que se enfiou em nossas entranhas como uma bola de fogo. Pretendíamos um empate; o empate, entretanto, evaporou-se meio a ventania que soprava sobre Santa Maria. Perdemos... Perdemos a partida e o acesso à Primeira Divisão, sonho que alimentávamos desde Limeira, São Paulo, onde foi feita triagem de alguns jogadores que fariam parte do elenco do Lobão na temporada que se encerra de forma tão, digamos, chorosa. O acesso, é bom que se diga, não foi perdido na derradeira partida. Não; foi sendo construído ao longo do returno do octogonal. O Pelotas que se viu jogar desde a primeira fase da segundona – sobrando em campo, classificando-se antecipadamente – estava distante do time que encerrou a competição. Indícios de que os jogadores estavam deixando a peteca cair viu-se na fase classificatória para o octogonal. Ali, naquele momento, os comandados de Agnaldo Liz ensaiavam o que estava por vir, mas recuperaram-se a tempo e classificaram o time. Após a emocionante vitória sobre este mesmo Internacional de Santa Maria, numa segunda-feira, gol de Michel, todos esperavam que o time fosse deslanchar e disparar rumo à Primeira Divisão. Não foi o que aconteceu. Perdemos para o Ipiranga de Sarandi, o lanterna da competição. Daí para frente foi uma sucessão de tropeços, que resultou na desclassificação de um clube que tinha tudo para estar, hoje, entre os grandes do Rio Grande do Sul. Numa partida nervosa, diante de um público vibrante, que empurrava o time da casa, o Pelotas, com dois gols de bola parada, entregou de bandeja sua vaga – ou sua cabeça? – ao adversário... E tudo isso aconteceu diante de sua corajosa e barulhenta torcida, que gritou o tempo todo na arquibancada, no afã de empurrar seu clube do coração à vitória. Entusiasmado torcedor que apanhou como cachorro sarnoso no final do jogo. Os policiais, na ânsia de manter a ordem, deram cacetadas a torto e a direito, utilizando-se ainda de gás de pimenta, fazendo-nos chorar ainda mais. Não bastasse a frustração, arrancaram de nossa alma em ferida forçadas lágrimas. De quebra, choveu pedras sobre os bravos torcedores, acuados num canto de arquibancada. Como tênue consolo, vimos Michel, o ungido, aninhar seu gol no fundo das redes de Luciano... Gol que nos encheu de esperanças... Afinal, o empate nos lançaria do inferno às nuvens. O grito de gol, porém, não veio. Ficou trancado em nossa garganta como uma bola de concreto. Esperamos que, em 2008, com time e vontade renovados, o berro de gol que ficou cravado em nosso peito seja projetado às alturas e se transforme em chuva de mel. É o que todos nós esperamos.
Manoel Soares Magalhães.
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