Pois é, antigamente ele entrava em campo em luto fechado, aspecto soturno, como se toda família tivesse se suicidado com Ri-do-Rato. Hoje ele (e os indefectíveis bandeirinhas) tem sua “armadura” de trabalho colorida, mas o semblante continua sombrio como envelhecida escultura de praça. Em suas mãos esta o destino do jogo. É o todo poderoso juiz de futebol, espécie de Moisés detentor das Tabuas da Lei. Os jogadores, ainda que não queiram, têm de respeitar esta figura de ópera bufa, cujo prazer maior é ver os 22 jogadores babando à sua volta como uma horda de pedintes.
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A torcida, ao vê-lo assomar às quatro linhas, sente inequívoca sensação de ameaça, pois, confessando ou não, esta à mercê de seus caprichos. Um trinar de apito pode mudar a história do jogo, e conseqüentemente a ruína dos sonhos tão bem sonhados. Na Boca, este ano, somam-se os equívocos. Se pudéssemos contá-los, certamente faríamos várias voltas ao campo, estendendo um imenso e triste rosário de lamentações. Espero que domingo, contra o Aimoré, o Lobão tenha sorte de se deparar com um árbitro não bilioso, capaz de interpretar os lances do jogo com competência, sobretudo com sabedoria. Confesso que isso é bastante difícil, notadamente na Segundona. Porém, nunca é demais acreditar na possibilidade de um outro milagre de Lourdes.
Manoel Soares Magalhães.
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