17/04/08
Senhores, espera-se do encontro de legendas algo que transcenda o prosaico, o lugar comum; algo que nos remeta além das esferas, jogando luz em nossa pobre condição de mortais. Evidentemente que esperar do embate entre Rio Grande e Pelotas, pela Segundona gaúcha, mais do que eles poderiam nos oferecer, seria demais até para o mais benevolente dos deuses de plantão. Mas a gente espera ser surpreendido. Aguardamos ansiosamente o milagre. Afinal, é da nossa condição buscar a transcendência, e, claro, ansiar pela transcendência do outro. Entretanto, os "vovôs" não sairam do zero a zero na bonita tarde de outono, no estádio Arthur Lawson, filigranado por raios de sol, sendo mantida as respectivas posições na tabela - Rio Grande em primeiro e Pelotas em segundo lugar. O time reserva do Lobão não decepcionou, pois soube, dentro de suas limitações, segurar as "bengaladas" do Rio Grande, contra-atacando com suas próprias e incisivas "bengaladas", preservando sua invencibilidade. Foi um jogo de "velhos" ranhetos que não suportam levar desaforo para casa. As zagas de ambos os times souberam administrar o ímpeto dos atacantes, que, mais de uma vez, fizeram os goleiros (Bruno, do Pelotas, e Daniel, do Rio Grande) praticarem defesas "milagrosas". Assim, o empate foi o placar mais justo da partida, embora, como disse no início da crônica, esperássemos um jogo que se grudasse em nossas retinas e dele nos lembrássemos para todo sempre. A vida, porém, não é um sonho... É realidade... Uma dura realidade... Como duro é o gramado onde os "vovôs", Rio Grande e Pelotas, escreveram mais um capítulo de suas respectivas - e brilhantes! - histórias. Isso por si só vale, e muito!
Manoel Soares Magalhães.
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