Senhores, a realidade é gritante. O pior adversário do Pelotas, no returno do octogonal, foi ele próprio. Sim, perdeu escandalosamente para si mesmo. Começou com o tiro no próprio pé, ao ser derrotado pelo lanterna da competição, o Ipiranga de Sarandi, talvez no mais medíocre jogo do ano. Na partida seguinte, empate com o Sapucaiense, em casa, resultado que fez o torcedor roer as próprias vísceras. Na seqüência, derrota para o Ypiranga de Erechim, fora de casa, por 2 a 0. Ganhou fôlego vencendo o Rio Grande por 2 a 0, reanimando as esperanças do torcedor. Mas, tornou a tropeçar contra o Grêmio Bagé, num amargo 0 a 0, diante de mais de mil fanáticos áureo-cerúleos que invadiram a Rainha da Fronteira. E, no último sábado, para desespero da “nação” azul e ouro, empatou em 2 a 2 com o Santo Ângelo, em casa, num jogo que merecia constar nas páginas de Shakespeare. Assim, em 18 pontos disputados, o Lobão contabilizou 6... Seis minguados pontos. Para a sua sorte, o nível da competição é medíocre, pois, embora sem pontuar, mantém-se líder. Portanto, com ou sem mérito, o fato é que o Pelotas tem chance de chegar à Primeira Divisão, sim! Assim sendo, listar nomes para que sejam crucificados em praça pública é, no mínimo, grandessíssima burrice. É hora de mobilizar direção, jogadores e torcedores para o jogo do final de semana contra o Internacional de Santa Maria. Ainda que o empate, mercê de resultados combinados, sirva para deixar o Lobão na Primeira Divisão, o objetivo maior, inegavelmente, é a vitória. Apesar da fraca campanha, ganhar do “coloradinho” em seus domínios não é tarefa impossível. Aliás, nesta temporada, os times que jogam em casa, com poucas exceções, têm tropeçado feio. Logo, não seria nenhuma novidade uma trapalhada do Internacional diante de seu torcedor que, certamente, se fará presente ao estádio em grande número, impondo pressão ao adversário. Para que esse “milagre” aconteça, o Pelotas tem de entrar em campo focado no jogo, consciente de que não existe bola perdida ou lance impossível. Mais que nunca, também, precisará contar com a sorte que se tem mostrado fiel companheira ao longo do campeonato. Assim sendo, o “montinho” artilheiro, “vilão” dos goleiros, também o beneficiará, bem como o gol “metafísico”, que desafia a genialidade de matemáticos e físicos. Para que tudo isso seja realidade, os “guerreiros” áureo-cerúleos têm de entrar em campo ungidos pelos deuses do futebol, que elegem quem merece a benção. Pelo andar da carruagem, acredito que o Pelotas merece esta sorte. Concluindo; acho prematuro jogarmos a toalha no instante capital da competição. Mais que nunca o torcedor tem de materializar a paixão que tem por seu clube, o qual perdeu algumas batalhas, mas ainda não perdeu a guerra.
Manoel Soares Magalhães.
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