sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Festa ou lágrimas de esguicho.

Em futebol, geralmente, a regra é a seguinte: matar ou morrer. Tratando-se de jogo decisivo o matar ou morrer assume proporções épicas. Em caso de morte, digna será a lembrança da bravura dos jogadores que derramaram a última gota de suor e sangue em busca da vitória. Neste caso, como disse Nelson Rodrigues, o meio fio da calçada será nosso consolo, onde vamos chorar lágrimas de esguicho na maior dignidade. Vencendo a batalha, sobrevêm os louros da vitória, oportunidade em que os guerreiros são apupados como heróis, conquistando na nossa memória, em definitivo, especial nicho. É o que esperamos do Lobão, sábado, às 15hs, frente ao Santo Ângelo, quando o destino do Clube estará sendo jogado. Os onze guerreiros escalados pelo técnico Agnaldo Liz estão convictos de que vencerão a partida, cobrando muito caro empate ou derrota. A torcida, por sua vez, que se tem mostrado forte e entusiasmada, fará sua parte cantando num coro de quiçá 10 mil vozes “vamos subir Lobo”, empurrando o áureo-cerúleo à vitória mais esperada do ano. Time e torcida, fortemente unidos, engendrando forte energia, não permitirão que o Santo pense em fazer algum milagre na Boca, frustrando nossas mais caras expectativas. O Lobão tem de olhar para o adversário como se fosse, na verdade, a avó do Chapeuzinho Vermelho, e degluti-lo com vontade, não deixando sequer um ossinho de lembrança. Desde os primeiros instantes da partida, da zaga ao ataque, os “farrapos da Boca do Lobo” têm de estar sintonizados, aproveitando-se da chance que se apresentar. Aliás, ainda que o desenho da partida seja o de um jogo aberto, pois os dois clubes precisam pontuar, penso que o ferrolho, do lado do Santo Ângelo, vai prevalecer, optando pela tática do contra-ataque, almejando surpreender o Lobo que, como não pode ser diferente, jogar-se-á à frente com ímpeto de um cruzado. Quanto ao zagueiro Rudi, nosso “maragato”, um dos mais experientes do grupo – na companhia do “milagreiro” Cássio, Axel e Goiano – tem a necessidade de passar aos companheiros a fibra de um autêntico gaúcho que não teme o inimigo. Jogador avesso ao futebol “bailarino”, mas que na hora do “pega pra capar” não mede esforços no sentido de chutar inclusive a bola em direção à lua se necessário for. O zagueiro Adilson, que nos últimos jogos tem estado a seu lado, não obstante uma ou outra vacilada, parece ter assimilado a forma de jogar do “maragato” Rudi. Na frente da zaga, a força e a determinação de Gasolina ou Thiesen. No meio de campo, apostamos no talento do “príncipe etíope”, o qual, às vezes, parece dormir, mas que de súbito é bafejado pelos deuses do futebol, jogando com estilo, desnorteando o adversário, não raro culminando com gol. Jogamos nossas fichas também em Axel, que nos últimas apresentações tem brilhado, tendo à mão a batuta de um imaginativo maestro, ditando o ritmo do jogo. E na frente, território dos “matadores” Flávio Dias e Michel, o “ungido” – e Jorge Preá, caso seja escalado ou entre no segundo tempo – ansiamos que entrem em campo imbuídos de fundamentalista fé, com ganas de enfiar a bola nas redes mais de uma vez. Enfim, é do nosso desejo que o time inteiro jogue um futebol capaz de fazer tremer o Santo Ângelo, construindo uma maiúscula vitória, chegando por fim à elite do futebol gaúcho. Depois... Ah! Depois é fazer a festa na Bento Gonçalves. Na pior das hipóteses, restar-nos-á o choro de esguicho no meio fio da calçada, esperando o decisivo jogo contra o Internacional de Santa Maria, no próximo domingo.
Manoel Soares Magalhães.

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