sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O capitão Nemo.

O destino nos manipula como se fossemos peças de xadrez, conduzindo-nos às sombras ou a luz. Quando o Pelotas mergulhou no pântano da segundona, mais de uma vez encontrei o presidente Aleixo na arquibancada da Gonçalves Chaves, sentado calmamente descascando amendoim. “Ganhamos hoje?” ele indagava vinco de preocupação cruzando-lhe a testa. “Acho que sim”, eu respondia animado. No fundo, porém, tanto ele quanto eu tínhamos poucas esperanças na recuperação do time, que jogo a jogo afundava cada vez mais. A sonhada virada estava longe de acontecer. A pá de cal sobre o Lobão ocorreu no jogo contra o São José de Porto Alegre, quando perdemos por 2 x 1. Estávamos lá, naquele fatídico domingo de 16 de maio de 2004. Eu na arquibancada e Aleixo longe dela, na parte diretiva do Clube, que assumira às pressas em abril, na malograda tentativa de arrancar o Clube do inferno anunciado. Decepção de um homem que, conhecedor das agruras da Segunda Divisão, tinha em seu currículo a proeza de já haver arrancado o áureo-cerúleo da condição de rebaixado, em 1980. Sim, Aleixo presidira o Clube naquela vitoriosa campanha, deixando o Lobo da Bento Gonçalves no lugar de onde jamais deveria ter saído. O destino, portanto, caprichoso e manipulador, vinte e três anos após o Clube ter se evadido da Segunda Divisão, em 1984, escolheu-o para ser o “comandante” da “nave” áureo-cerúlea que, hoje, singra mares tempestuosos em direção à elite do futebol gaúcho, em condição extremamente mais favorável. Coincidência? Duvido. O destino escolheu-o porquê tem carisma. O calmo e compenetrado Aleixo da arquibancada, dos bastidores; o capitão Nemo de tantas e vitoriosas campanhas, eleito para presidir o Clube neste importantíssimo momento de sua quase centenária história, é o melhor dos augúrios. “Ganhamos hoje?”, ele perguntaria comendo tranquilamente seu amendoim. “Vamos ganhar, presidente.”, eu responderia bastante animado. O destino quer. O destino pede.
Manoel Soares Magalhães.

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