Esporte Clube Pelotas x Ypiranga de Erechim não é tão-só um jogo. Vai além disso, apostem. Trata-se de uma partida com ressonâncias épicas, onde a vontade de ganhar tem de prevalecer sobre tudo e sobre todos. Não foi sem vontade – e sobretudo coragem – que vencemos a barreira do tempo e deixamos para trás o selvagem que percorria solitárias savanas em busca de caça. Compreendemos que éramos mais que sangue e vísceras. Tínhamos espírito; nossos olhos se erguiam para o céu e o perscrutavam em busca de respostas que iam além do estômago. À medida que as perguntam eram formuladas, e as respostas, como raios iluminando a escuridão, iam-se aderindo à nossa experiência, dando-nos força e coragem para subverter a dureza do ambiente, íamos tendo a noção de que poderíamos chegar, se quiséssemos, muito longe. Se os atletas do Lobão, por um segundo antes de o árbitro trinar o apito dando início ao jogo, imaginarem-se solitários em uma savana, a fome e o medo a roer-lhes a mente e o estômago, certamente encontrarão forças dentro de si para conquistarem o objetivo maior, que é vencer o adversário, que, por sua vez, tem também motivações de vencer, malgrado o anseio de chegar onde desejava tenha-se diluído. Porém, irá jogar para ganhar porque tal desejo corre em suas veias. No caso do Pelotas, que ainda tem fortes pretensões de conquistar o Eldorado, que impulso seria mais forte que o de conquistar o objetivo, profunda e fortemente pensado ao longo da temporada? As espécies – inclusive as unicelulares – movidas pelo apelo da vida, vão muito além de suas forças, desafiando qualquer gênero de conceito que queira enfraquecer esta mágica de se fazer campeão da sobrevivência. Nas quatro linhas, 22 jogadores disputando a bola, refletem não só a magia do futebol, mas a disposição de se superarem em campo, reflexos que são do DESEJO de voar mais longe, além dos picos mais elevados. Senhores, o futebol é metáfora existencial. Que vença não o melhor, mas aquele que tiver queimando no peito a VONTADE de superação. É o que eu espero, domingo, que os atletas do Lobão tenham no lado esquerdo do peito.
Manoel Soares Magalhães.
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