sexta-feira, 6 de julho de 2007

A mala preta.

Pois é, na crônica anterior escrevi que o futebol tem as cores e a vibração de uma ópera. E, como todo bom drama lírico, possui protagonistas e antagonistas. Fiquei meditando a respeito e cheguei à conclusão de que, no jogo de domingo, entre Pelotas e 14 de Julho, além dos jogadores e técnicos das respectivas equipes, por assim dizer os “artistas” do espetáculo que decide no campo o destino do Lobão na competição, parece existir, nos bastidores, estranho personagem. Refiro-me ao Homem da Mala Preta que tem a pretensão de, mediante pagamento, injetar ânimo nos atletas do 14, dando-lhes vontade de jogar um futebol que deixaram de jogar ao longo do campeonato. O espetáculo não começou e já estou começando a rir. Por que não? Ou não seria de rir essa triste figura, que se oculta nas sombras do anonimato, a pretexto de “defender” os interesses do seu time, mercadejar por ai livremente? Sabe-se que tal prática é habitual no futebol, aqui ou em qualquer parte do mundo. Entretanto, por ser expediente universal não a deixa menos risível. Vejamos a sena: o sujeito, olhar maquiavélico, aproxima-se do representante do time, cujos jogadores de ordinário deixaram a desejar, instando-o a receber uma grana extra para moverem as pernas com mais ânimo. Ele aceita, claro, olhar não menos velhaco. O pacto esta feito. E a ópera, em razão disso, ganha em dramaticidade. E os jogadores do Lobão, que nada têm a ver com a negociação, sabem que tem de jogar o jogo de suas vidas, não porque o time oponente foi “comprado” para vencê-los, mas sim por que esse é o objetivo de quem veste a camisa azul e ouro. Senhores, vai ser um grande jogo. Apostem nisso. Se apurarmos bem nosso olhar, talvez até vejamos, entre os torcedores do Pelotas, o tenor italiano Luciano Pavarotti na Boca, morrendo de inveja por não poder participar da peleia.

Manoel Soares Magalhães.

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