Pois é, fico me perguntando se existe algo mais comovente que o futebol? Parece-me às vezes que uma partida se assemelha - e muito! - a uma ópera. Tem coro, tem solista... Inclusive orquestra - que não ultrapassa a melancólica condição de charanga. Mas quem se importa com isso? Ela ali esta na arquibancada, barulhenta e feérica, servindo de trilha sonora para que gargantas se escancarem e cantem cânticos de louvor e fé, entusiasmando os jogadores da casa, e amedrontando os visitantes, alijando-os de força e vigor. Domingo, contra o 14 de julho, espero ver uma grande ópera em sua melhor performance. Que o coro esteja afinado; que os solistas estejam afinados; que a charanga esteja afinada. Pois juntos, unidos aos jogadores através de uma corrente elétrica, chegaremos ao tão sonhado octogonal, passagem para o eldorado da Primeira Divisão do Futebol Gaúcho! Não, decididamente não existe nada mais comovente que o futebol. Caso haja dúvida, pare um instante e observe as linhas do rosto de um torcedor. Em cada milímetro se aloja emoção, angústia... A mais improvável felicidade, e a mais inesperada frustração. Amor é ódio no olhar. Raiva e consolo se alternando em questão de minutos. Portanto, o torcedor é a prova evidente de que o futebol é sim uma grande ópera barroca. Um espetáculo sui generis que vai além da imaginação mais louca e versátil. Enfim, que Pelotas e 14 de julho de Livramento ofereçam ao público, domingo que vêm, os requintes de uma grande e inesquecível ópera.
Manoel Soares Magalhães.
Nenhum comentário:
Postar um comentário