sexta-feira, 13 de julho de 2007

Os dias sombrios

Pois é, acho os sombrios dias de inverno comovedores. Inspiram-me atávicas lembranças. Sugerem sopas quentes; fumegantes canecas de chocolate; aconchego de corpos sob edredons. Claro, quando chove, pouco ou muito, apela-se para o guarda-chuva, este objeto de fúnebre aspecto, de remota idade. A capa faz parte do kit antichuva, protegendo-nos dos rigores da intempérie. A julgar pela meteorologia, os torcedores do Lobão, domingo, além dos alimentos quentes e da indispensável bebida etílica, deverão utilizar-se do indefectível guarda-chuva para ir à Boca e assistir ao jogo do Pelotas contra o Ipiranga de Sarandi.
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Guarda-chuvas e capas, ou alguma outra coisa menos provável, servirá de armadura aos torcedores fiéis do Lobo da Bento Gonçalves, empurrando o time para a conquista de outra vitória, ajudando-o no caminho que conduz ao Olimpo da Primeira Divisão. Aliás, disputa com características de tragédia grega, tamanha é a dramaticidade dos jogos. Luta-se pela bola como se fosse muito mais que isso. Querem-na como a “chave” que abre a porta do Panteão, a simbólica e radiosa morada dos deuses. Portanto, é o que os torcedores do áureo-cerúleo esperam dos conquistem na tarde de domingo. Pois, da arquibancada, cânticos de louvor e fé ecoarão Boca, instigando os “guerreiros” à superação dos limites. Não estamos falando de um jogo, apenas. Trata-se, antes, do passo decisivo em direção a redenção. Que assim seja!
Manoel Soares Magalhães.

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