sexta-feira, 27 de julho de 2007

A magia do rádio.

Em recente crônica me referi à magia do rádio; em sua capacidade de enternecer-me até a medula. É que fui criado ouvindo galena. Para quem não sabe, galena é um estranho objeto que captava ondas de rádio. Distraia-me ouvindo músicas e noticiários, imaginação a solta. Depois veio o rádio valvulado, grande e potente. Girava o dial em busca de emissoras distantes. Quanto mais longe melhor. Vozes alienígenas invadiam a casa, povoando a escuridão de magia. O sono achegava-se com seu passo medido, cadenciado, raptando-me. Mas o rádio ficava ligado, despejando mistério em cada centímetro do quarto. Os anos se passaram e veio a televisão. Mas a força do rádio não diminuiu, não. Mantém-se forte, alimentando a imaginação de milhões de pessoas, absolutamente fiéis à sua feitiçaria. Quinta-feira que vem, retorno ao rádio para ouvir o jogo entre Sapucaiense e Pelotas. O encantamento esta de volta. Quieto, cheio de expectativa, como o menino de 9, 10 anos, escutarei a partida, imaginando os lances narrados, tentando adivinhar a trajetória da bola no campo maltratado pela chuva. Não raro me pego pensando se não prefiro o rádio à televisão? Não importa a resposta. O que interessa aqui é a mágica... A mágica que só o rádio é capaz de realizar. Portanto, quinta-feira, às 15hs, tem futebol pelas ondas do rádio. Existe instante mais sagrado?
Manoel Soares Magalhães.

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