Através das ondas do rádio veio a notícia de que fora adiado o duelo de OK Corral. O tão aguardado encontro entre Pelotas e Sapucaiense, falado em prosa e verso durante a semana, foi transferido para agosto, em dia ainda não definido. Provavelmente uma quarta-feira. Senti-me como se tivessem me arrancado de um sonho bem nutrido, cheio de curvas e encantamentos. Havia feito planos para ficar quieto, deitado, ouvindo o desenrolar do espetáculo, que prometia ser quente. Cronos, senhor do imponderável, convenceu São Pedro a abrir as torneiras do céu, despejando água sobre Sapucaia do Sul, inundando o campo que se fez mar. O árbitro nadou pelo gramado, olhar avaliador, seguido por um cardume de repórteres, que aguardavam a definição quanto à realização ou não da partida. A decisão veio após consultarem a Federação, que decidiu adiar o duelo de OK Corral. A torcida do Lobão, que foi à Sapucaia incentivar o time, frustrou-se. Mas fazer o quê? O que estava em jogo era a integridade física dos jogadores. Imaginem jogar futebol num campo alagado? Penso que a decisão foi justa. Claro, ficamos frustrados, pois esperávamos que a bola rolasse e que o Lobão trouxesse à Boca mais uma vitória. Adiemos, pois, este embate, e comecemos a pensar no Ypiranga de Erechim... Talvez a mudança tenha sido benéfica... O Sapucaiense tem sido uma pedreira no caminho do Pelotas. Embalados na competição, com pontos na algibeira, será mais confortável enfrentar o feioso pistoleiro de Sapucaia do Sul.
Manoel Soares Magalhães.
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