O domingo tem um sabor de preguiça. Não raro acossá-nos a vontade de permanecer com aquele pijama levemente manchado, que se afeiçoou ao nosso corpo e conhece nossas idiossincrasias. Peregrinamos pela casa, olhar lasso, fixando as coisas por fazer. Ah, aquela torneira pingando, a privada vazando água, a grama por aparar, a fechadura daquela porta que teima em não fechar... E a goteira que a patroa vem reclamando? Silêncio segregando tédio. Humor a meio pau. Este cenário desolador ocorre, com exceções, evidentemente, se tivermos passando dos cinqüenta. Acaso ainda não tenhamos atingido meia centúria de existência, as preocupações são outras, menos domésticas, talvez. Somos compelidos, então, a calçarmos um tênis, vestirmos àquele abrigo algo surrado, e, à feição dos felizes, desbravamos o bairro, a cidade com garbo de conquistador. Nosso olhar ainda é de “caçador” à procura de presa. Ainda há esperança em nosso olhar, que, em cada esquina, brilha de expectativa. Mas, independentemente da idade, todos aqueles que gostam de futebol, têm motivos de sobra para saborear o domingo como um bolo de chocolate. À frente da tevê, ou através das ondas do rádio, espantamos o tédio que se apossou de nós ao longo do domingo, que se arrastou pela casa como uma tartaruga das ilhas Galápagos. Os torcedores do Lobão têm encontro com o rádio, às 19hs. Santo Ângelo e Pelotas jogam pela sexta rodada do octogonal da segundona de profissionais. E, transbordando otimismo, estaremos atentos. Afinal, o Lobão vai a esta longínqua paragem defender a liderança e a invencibilidade extremamente suadas. Estamos convictos de que, em campo, os comandados de Agnaldo Liz venderão muito caro até mesmo o empate. Derrota, então, tem preço inimaginável. O time de Santo Ângelo terá de pagá-lo se quiser vencer o encontro de líder e vice-líder. Um domingo para defendermos nosso Eldorado. Com tédio ou sem tédio ficaremos ao pé do rádio, atentos.
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Manoel Soares Magalhães.
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