segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Jogo dramático na Boca.

O lobão, contra o Grêmio Bagé, teve um primeiro tempo brechtiano. Tomou um “banho” de bola do time da fronteira, com direito a talco nas “dobrinhas”. Graças aos milagres do goleiro Cássio – que anda merecendo estátua de corpo inteiro na Boca – o time de Agnaldo Liz safou-se de retumbante “chocolatada” sob carrancudo céu de domingo. A rigor, o áureo-cerúleo chutou uma bola em direção à meta de Roger. O tiro foi desferido por Jorge Preá, que tentou de letra, mas a bola, caprichosamente, cobriu o travessão. Alexandro Goiano, transpirava em campo sem inspiração; parecia inconsolável viúva procurando desesperadamente por companhia. Acredite, ele “furou” em bola na sala de visitas do goleiro Roger, no que poderia ser o primeiro gol do Pelotas. Rodrigo Gasolina, eficiente em outras jornadas, jogando como zagueiro, frustrou e frustrou-se, acorrentado à zaga. Poderia, acaso estivesse mais adiantado, servir os atacantes com seu já conhecido talento. Douglas, substituindo Axel, que se recupera de lesão, mostrou vontade sem criatividade. O Lobão foi para o intervalo sentindo as costas o peso de um madeiro. Senhores, diante deste improdutivo primeiro tempo, verdade incontestável se revela. O atacante Michel é imprescindível ao ataque do Pelotas, devendo constar nas Tábuas da Lei de Moisés. Substituindo Preá – que não se achou em campo – Michel desarvorou a zaga do Bagé. Em menos de seis minutos o Lobão conquistara três escanteios, levando perigo ao patrimônio do Bagé. Mas, como quem não faz, leva, Leandro Guerreiro, num descuido da zaga, aos 13 minutos, fuzilou Cássio. Um a zero no placar. Fria chuvarada despencou sobre a torcida áureo-cerúlea. Céus! O inacreditável estava acontecendo. Perplexidade em cada rosto. Medo. O jogo reiniciou ainda mais nervoso e pegado, empurrado pelos gritos da arquibancada. Flavio Dias, aos 23 minutos, iluminou-se de súbito, quase marcando o gol de desempate. Gol que viria aos 26 minutos através de Michel, que, endiabrado, levou a bola quase à bandeira de escanteio, acossado por dois zagueiros, e cruzou. Douglas, que fizera um mal primeiro tempo, estava na hora certa no lugar certo. Antecipando-se na jogada, enfiou a bola na rede. O grito de gol que sufocava a torcida, explodiu. Um a um no placar. O jogo, a partir de então, adquiriu contornos ainda mais dramáticos. Insuflado pela reação, o Lobão atirou-se à frente a toque de caixa e clarins. Foi desferida contra a meta de Roger inequívoca saraivada de bolas. O chapéu que Flávio Dias deu num zagueiro, deixando-o envergonhado para o resto da existência, certamente ficará gravado na memória dos torcedores. Não bastasse a ousadia do feito, carimbou o poste esquerdo do perplexo Roger, gol não acontecido por questão de detalhe. Merecia lograr êxito, suscitando a inauguração de uma placa na Boca do Lobo. Roger, inspirado em Cássio, operou milagres por duas ou três vezes mais, passando o ferrolho na porta. A tão sonhada virada no placar não aconteceu. Poderia, claro, se o árbitro Leandro Vuaden não tivesse fechado seus olhos de mercador à penalidade que o “matador” Flávio Dias sofreu, dentro da pequena área. Preferindo não se complicar, pediu a bola e encerrou um dos mais dramáticos jogos da temporada na Boca. Entre Pelotas e Bagé a história não poderia ser outra.
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Manoel Soares Magalhães.

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