quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Tiro no pé.

A inesperada vitória do Ipiranga de Sarandi, 1 x 0 sobre o Pelotas, sábado à tarde, incendiou o jogo do Lobão x Sapucaiense, sábado próximo na Boca. Penso que além do efetivo da Brigada Militar, deve se fazer presente também ao estádio o Corpo de Bombeiros, o qual, certamente, terá muito trabalho para controlar as “chamas” do duelo que promete ser dramático. Perdendo para o Sarandi, o áureo-cerúleo jogou pimenta malagueta no próprio prato, queimando-se até a alma. O tiro que tinha de ser disparado contra o adversário, foi dado no próprio pé. Uma trapalhada e tanto. Até o mais pessimista torcedor não imaginava tamanha falta de “pontaria”, provando-nos que, em termos de segundona, pouco drama é bobagem. A competição, sem dúvida, após esta rodada, ganha cores de tragédia grega. O Pelotas começou o jogo disposto a resolver as coisas rapidamente. Mas, por um desses caprichos do futebol, a primeira bola desferida contra o patrimônio de Cássio foi dormir no fundo da rede. Gol com sabor de melodrama, evadido das ondas do rádio para alojar-se no peito do torcedor áureo-cerúleo, despejando ainda mais negrume no já cinzento sábado.Começávamos a viver um pesadelo que, na última crônica, julguei possível se o Lobão não se cuidasse diante do franco-atirador de sangue doce, que, até então, nada fizera de prático para fugir da lanterna. Nossos matadores, Flávio Dias e Jorge Preá, não acharam o caminho do gol. Andaram às tontas, divorciados dos meias de ligação, Axel e Goiano, perseguidos pelos volantes adversários, que chutavam tudo, inclusive a bola.
O comandante, mexeu e remexeu no time, mas o escore não foi alterado. O destino do Lobão estava traçado: perder. É difícil perder. Mais difícil ainda é perder para o lanterna da competição, que prometeu ao longo da semana fazer o “crime” contra o Pelotas. Muitos hão de arrazoar que o time entrou em campo de salto alto, presa de euforia, fazendo pouco caso do adversário. Não acredito nisso, até por que Agnaldo Liz e a direção do Clube cobram de seus comandados humildade, tendo uma resposta positiva quanto a isso. Outros dirão que o problema foi o campo pequeno, inadequado para a bola rolar. A falta de sorte, também, será lembrada, bem como o desfile de volantes em carro alegórico, tornando o time, em vez de ofensivo, defensivo. O fato é que o Lobão foi a Sarandi e tomou um indesejável banho na “fonte”. Mas não há motivo para desespero. Ainda somos líderes. E, na pior das hipóteses, acabaremos a rodada em segundo lugar, caso o Santo Angelo ganhe do Rio Grande amanhã, segunda-feira. Portanto, nada de se escabelar como noiva abandonada no altar. É imprescindível manter o foco e a concentração, sobretudo a pegada que o time vem tendo ao longo da competição. Ganhando do Sapucaiense no sábado, jogo de seis pontos, estaremos outra vez na ponta da tabela. Partida dura, com lances shakespearianos certamente. Haja coração!
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Manoel Soares Magalhães.

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