Aconteceu domingo, na Boca, o gol mais rápido da carreira do “matador” Flávio Dias. Imaginem o lance. O árbitro trina o apito. A bola é esticada para o atacante, o qual, como um súbito pé de vento, atira-se em direção à área inimiga, domínio dos aturdidos zagueiros do Ypiranga de Erechim, e, sem titubear, fuzila o goleiro Alexandre Marasca, que num piscar de olhos vê sua “Bastilha” desabar aos seis segundos do primeiro tempo. Foi, sem dúvida, a materialização do sonho do mais fanático e fundamentalista torcedor áureo-cerúleo. A torcida, em êxtase, pulou e cantou na arquibancada, presa também de estupefação. Os jogadores do Lobão ainda estavam comemorando quando, aos 53 segundos, Rafael Betini escorou a bola cruzada na pequena área, enfiando-a no ângulo da meta de Cássio, decretando o inusitado empate. Jogadores, torcedores, diretoria e gandulas do Pelotas foram arrancados do céu e enfiados no inferno em menos de um minuto. Desabara sobre a Boca segundos de comoção. Quem ainda não entrara no estádio – ou se distrairá por qualquer outra razão, perdeu de assistir ao vivo dois sobrenaturais gols. Os jogadores, receosos de que pudesse acontecer outra vez o imponderável, reiniciaram a partida aos titubeios. Mas, aos poucos o jogo voltou à normalidade, com o Pelotas pressionando o time de Erechim, que marcava com competência, saindo para o jogo sem medo, levando perigo à meta defendida por Cássio. O segundo gol do Lobão foi de bela feitura, tecido na roca de Cleiton, que chega à linha de fundo, cruzando a bola em direção à área, encontrando Flávio Dias livre, que bateu sem hesitação no ângulo esquerdo do goleiro, deixando-o a nocaute. Eram 24 minutos do segundo tempo. O Lobo ficou na frente do placar outra vez. No segundo tempo, logo aos 3 minutos, o zagueiro Rudi, visitando o minifúndio inimigo, enfiou a bola na rede, deixando o placar em 3 a 1. Esta, porém, ainda não é toda a história do jogo. Há que se registrar os desempenhos do volante Thiesen, soberbo; das estocadas fulminantes do ala Bruninho, que jogo a jogo vem mostrando por que foi contratado; do vigor e competência de Goiano na articulação das jogadas. E, claro, da postura da zaga áureo-cerúlea, que, tirante o descuido do primeiro gol do time de Erechim, andou muito bem. Aliás, o time inteiro foi combativo, vibrante, intimidando o Ypiranga, que, lance a lance, foi vendo seu objetivo cada vez mais distante. Só não levou mais gol porque Alexandre Marasca andou fazendo milagre debaixo da goleira. O pelotas, enfim, num luminoso domingo de sol, andou fazendo e levando gols metafísicos, deixando sua fiel torcida mais que nunca animada. As expectativas foram confirmadas. Ouviu-se, e muito, cânticos de louvor na Boca. Tudo esta bem encaminhado, sim!
Manoel Soares Magalhães.
Um comentário:
É isso aí!
Visite o blog do Lobo!!!!
Postar um comentário